domingo, 31 de maio de 2009

Clichês do cinema


1- Ufa, foi só um sonho. Nos minutos finais do filme, logo após a grande revelação, o herói aparece dormindo no conforto da sua cama e se dá conta de que tudo foi apenas um sonho.

2- Lágrimas milagrosas. Se o impensável acontecer e o mocinho acabar morrendo, não há motivos para se preocupar. A namorada/esposa aparece e grita: "You can't do this to me!". Logo em seguida, uma lágrima cai no rosto do falecido e ele reganha a vida pronto para destruir qualquer plano de dominação mundial.

3- Aliens humanóides. Não importa a galaxia ou sistema solar, todos os alienigenas tem uma enorme semelhança com os humanos. Muitas vezes, a única diferença entre extra-terrestres dos humanos são rugas na testa/orelhas pontiagudas e/ou pele multi-colorida. 

4- Primeiro contato. Não existem problemas na comunicação com alienigenas, eles sempre falam inglês fluente desde o primeiro contato com um humano. 

5- Explosões no espaço. Quando alguma nave explode no espaço, surge uma bola de fogo enorme que acaba engolindo algumas naves menores. Tudo pode ser ouvido a centenas de quilometros do epicentro.

6- Explosões em câmera lenta. Quando alguma coisa absurdamente grande explode, tudo acontece muito, MUITO lentamente. Essas explosões épicas normalmente são mostradas em, no mínimo, 27 angulos diferentes.

7- Softwares do governo by Apple. Os dados secretos do governo podem ser acessados por qualquer com um com laptop usando a rede wi-fi de uma biblioteca. Esses dados ficam armazenados em bancos de dados com uma interface amigável ao usuário, com uma caixa de diálogo colorida pedindo uma senha de acesso que até o formulário do Google considera fraca.

8- Mortes desnecessáriamente lentas. O vilão, sempre que captura o herói, inventa uma forma extraordináriamente lenta de mata-lo envolvendo cordas, lasers, tanques de ácido e animais selvagens. Enquanto isso, o vilão conta todos os detalhes do seu plano diabólico de dominação mundial.

9- "Interrompemos a programação[...]". O herói liga a televisão ou rádio no momento EXATO em que um comunicado urgênte está prestes a ser divulgado, e sempre desliga logo em seguida.

10- Carros-bomba. Em perseguições de alta velocidade, os carros dos bandidos explodem com o mínimo impacto, com grandes chamas e fumaça preta. Por outro lado, o veículo do mocinho é um carro roubado, a prova de balas, com o tanque de combustível sempre cheio e um consumo desprezível.

11- Taxis estão sempre lá quando se precisa deles. O herói recebe uma noticia envolvendo a namorada, e/ou detalhes de um evento que matará centenas de inocentes em pouco tempo. Ele está sem carro, para na primeira esquina, solta um grito: 'TAXI!!'. Em menos de dois segundos, um motorista altamente treinado para na frente dele e os dois seguem em velocidade. Assim que chegam no destino, o mocinho pula do carro sem nem pagar o taxista, mas ele segue sem parecer se importar com isso.

12- Bombas by Apple. Não é apenas o governo que tem uma interface amigável ao usuário inexperiente. As bombas costumam ter um contador enorme marcando o tempo restante para a detonação. As vezes até mudam de cor!

13- "... Não se esqueçam, trabalho para segunda!". O sinal de termino da aula bate interrompendo o professor. Enquanto todos os alunos pegam suas coisas e saem da sala, ele finaliza lembrando de um trabalho que deverá ser entregue na semana seguinte.

sábado, 30 de maio de 2009

Do Desvencilhar de Dodecágonos Saturnológicos

Do que o ácido desmantela não haverá à lua analisar; Aos ermitões das claras profundezas alfacentaurinas destinam-se as melhores conchas; Sobre a bússola de um cego manco pousa o gafanhoto azul e tentáculos de lula frita ao sol da meia noite tem gosto de gêiser. Assim pensava eu.

Até que descendeu das baixezas do paraíso um pianinho, delicadamente esbarrando nos meus decalógicos rabos de mão. E então fez-se a lava. E não daquelas saltitantes e esmiguelantes, a mais genuína das genuínas lava das províncias de Nicklebeppez. E daquelas saliências martelíneas brotaram depósitos, porpósitos, sobrepósitos e sigopósitos de gracejo índico temperado com racionalismo grecoetrusco e virtuosismo teutônico. Bicho, aquilo fez minhas rubras almofadinhas esquarkejadas berrarem 'budaquevospariu, taí um leitmotif!'.

Cê não tá falando sério né? Como não? Ah, é que nada disso *quilha treme* não deixa de não fazer sentido algum, pelo contrário, deixa de fazer sentido algum por não fazer...

Entramos naquele mágico entreolhar intercósmico com nosso tapete alógico, com titânicos 'V's planando sobre doces campos de trigo róseo, sobre as pradarias alabardeareiras outrora de vermelho e marrom, ouvindo o som dos violinos e trompas debaixo d'água. Dentre as asas de mergulhão que entrelaçam as terceiras dobras supracartágenas do Sol, vislumbrantes globos de fogo e marfim se fazem audíveis... I think they're calling our name...Not necessarily stoned, but...Bountiful...Belearguareful...Beautiful.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Da Natureza Devaneiante dos Carpideiros da Blue Marble

Os peixes não sabem, vá. Eles só se prostram surrupiantes às suas correntezas e fascinante cotidiano que só uma criatura tão expressiva quanto um peixe pode ter. Mas eu sei. Digo, nós sabemos. Tá, eu sei e você finge que sabe, tantófaz...

Agora, se essas tábuas pudessem falar (e veja você que, de fato, elas não podem), elas berrariam ao sol o crux of the biscuit. Cê sabe, the apostrophe. Porque só lá no escuro, onde as bolhas tubarônicas borbulham, onde as paredes close in to suffocate ya, where the life you've been leading gotta go (hu-hum), é que há contrapontos farfalhantes e metronômicos. Sim?

Well, let me straighten ya out

Sobre esse lugar que eu conheço, aquele, logo do lado daquele restaurante russo, virando a esquina. É, você sabe onde é, né seu safadão? Eu já sabia que você sabia antes de você mesmo saber que havia algo para ser sabido. Mas a gente é uma coisa só, só não é. Quer saber? Deixa os pragmatismos pro desjejum.

Don't ya just freakin love the sound of a full hull fully hulling across a reef? É pra isso que eu vivo, bicho. E também pra o canto de sereias bem dotadas.

Ah, a bênção do caos. Caos tem pra todo mundo. Mas é a última, e só a última gota que transborda o copo. Pensando bem, agora faz sentido. Quando se vive no mar, não há últimas gotas. Pobres peixes. Talvez agora eles saibam.

Olha lá, a electric ladyland...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Blogando em 4 passos

1- O nome do blog deve ser escolhido com MUITO CUIDADO. Existem apenas dois caminhos possíveis. Frases filosóficas sempre são uma opção forte. Precisa ser algo que faça as pessoas refletirem sobre todas as opções que fizeram na vida. Alguns exemplos típicos são:

"pursue you dreams"
"just be happy"
"be yourself"

Citei apenas três exemplos, não quero causar nenhuma crise existencial nem nada do tipo. Claro que esse tipo de nome já está sendo muito usado. Se tiver coragem de ousar, tente algo um pouco mais... auto-centrado:

"me - it's what matters"
"me, me and me"
"me, myself and I"

 O resto é besteira, não vale a pena considerar...

2- Você já tem o nome do seu blog, agora falta dar aquele toque pessoal escolhendo um layout que é a sua cara. Qualquer coisa colorida, com imagens grandes e se possível com vários brilhos, uma pouco de flash e 109834234 widgets [gadgets, como quiser...]

2.1- Apenas para mostrar para o quem é a interessantíssima pessoa que está escrevendo, coloque uma foto no seu perfil e escreva uma pequena introdução sobre você. Mostre quão perfeito[a] você é. Exponha todas as suas qualidades, seus defeitos, sonhos e aspirações. Lembre-se: Sempre, sempre, sempre odeie gente falsa e faça questão de deixar isso claro no seu perfil. Um pouco de filosofia também ajuda. Coisas como: 'amadureço a cada dia que passa' ou 'aprendendo com os meus erros'. Devem ser tão persuasivas quanto o nome do seu blog, acho que os exemplos ilustraram bem a ideia.

3- Seu blog pode ser a coisinha mais fofa do mundo, mas ele não vai chegar a lugar nenhum sem conteúdo de qualidade. Não importa o nome que você deu para o seu blog, o tema vai rodar em três itens principais:

-Devaneios filosóficos
-Você
-Você

Ok, admito, fui muito amplo, melhor especificar um pouco mais. Fale das suas experiencias amorosas frustradas, sobre a festa de semana passada e sobre o seu gato. Posts obrigatórios em qualquer bom blog. 

3.1 - Apenas pessoas inteligentes escrevem, então mostre toda a sua sabedoria com frases tão impactantes que seriam dignas de serem colocadas no seu perfil do Orkut. Copiar frases do perfil dos amigos e dizer que mudou sua vida também está valendo. Citações de livros até fazem você parecer culto. Mostre toda a sagacidade do Edward Cullen.

3.2 Você é simplesmente demais. Não, de verdade, você é perfeito[a]. Quer dizer, eu não te conheço, mas aposto que:

você odeia pessoas falsas e imaturas
sabe a hora de brincar e a hora de ser sério
você sabe aproveitar cada minuto da sua vida
ninguém aproveita a vida melhor que você
você é capaz de lutar contra todos os obstáculos no seu caminho
todo mundo é um bando de egocentristas, exceto você
você sempre valoriza os seus erros e sempre tira uma lição de vida com eles
força de vontade e perseverança são seus mottos
humildade é a palavra de ordem

Saliente cada um desses itens nos seus posts. 

3.3- Filosofe bastante. Uma pessoa tão sábia quanto você tem muito o que compartilhar. Não quero me aprofundar neste item, afinal o filósofo aqui é você. Caso lhe falte inspiração, tente escrever sobre como o tempo passa rápido e que apenas alguns dias antes você ainda era uma criança inocente. Apenas deixe claro que você cresceu e agora é uma pessoa supermadura. 
Esta é apenas uma idéia, você ainda pode falar de amores não-correspondidos ou despedidas.

4- Mantenha os posts curtos para não assustar os leitores.

Reichstag

Aqui não jaz um blog.

Do mal da década que surge dos confins dos pseudoemos e prototias-de-salão, dos mários-vão-com-os-outros e dos mainstreamers cegos, a exclusão não desremete. Pois as poucas vanguardas, no mais literal dos sentidos, que afrontam as ondas de mimimi e recusam o abarcar da geração são não mal-encaradas ou perseguidas como outrora foram, mas sim ignoradas e ridicularizadas, tomadas como a máxima das irrealidades psicossomáticas, os verdadeiros "tá, eu seria vilão ou mocinho, mas nunca o bufão."

Este é o grito de liberdade geograficamente isolado e blogosfericamente imiscível de alguns desocupados que vêem o mundo como algo para se pensar e mandar tomar no cu e dar risada. Por uma adolescência menos saturada de traumas de infância, pensamentos melancólicos, memórias nostálgicas, modinhas, filosofias isolantes, depressões, repressões, ridiculofeitios, desmemórias, desculpinhas, coisinhas, complexos. Pelo sarcasmo, ironia, sadismo e despreendimento, pela piada e pelo piadeiro, pelo piadante e pelo piadendo. Jamais críticos. Sempre honestos. E ainda rindo do mundo enfiado no cu.

Buffoons are dead, they say. Long live the buffoons...